Minha experiência com remédios para emagrecer - parte 1

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
O que chamamos de Bullying hoje, na minha adolescência era zoação.
Mas mudam os tempos, mudam os nomes, mas a dor é a mesma.
Sempre fui gordinha, troncuda, usava óculos para miopia, e saias de escola compridas.
Bete a feia.
Todos os dias, nos corredores, no intervalo, no recreio eu sofria... tinha pesadelos e chorava toda vez que via o dia amanhecendo, porque aquilo significava ir à escola.
Embora eu fosse uma boa aluna e tivesse amigos, eu era a gorda da turma, pela qual eu fazia de tudo para pertencer. Puxava saco de quem achava que deveria, dava cola nas provas, tentava me enturmar, mas nada dava certo - eu continuava sendo motivo de piada.
E doía demais!
Nunca aceitei meu corpo, por causa disso, perdi muita coisa - por não achar que merecesse amor.
Meu corpo era meu castigo...
Eu imaginava que, enquanto não perdesse peso, não poderia ser feliz!
Chorava escondido,
ficava sem comer,
até cheguei a arrumar atestados médicos para não fazer aulas de educação física.
Via as meninas da minha faixa etária, magras, arrumadas, vaidosas e eu nunca havia nem passado batom até os 13 anos de idade.
Um dia uma menina da escola me defendeu, gritando com uma turminha que me chamava de baleia.
Sempre fui muito emotiva, e só o que consegui fazer, foi chorar.
Mas confesso que ter 13 anos e ser tão desprezada, por ser gorda, me trouxe um medo de ser amada, eu estava completamente fora dos padrões... quando algum menino resolvia olhar para o meu rosto dizia que eu era bonita, mas era só, um deles chegou a dizer que eu tinha o rosto muito bonito, mas que pena, o que estragava é que eu era GORDA.
Isso acontecia em casa também - meu apelido em casa era "orca a baleia assassina" - sempre que alguma coisa acontecia, eu ouvia essa frase infeliz, e não conseguia me defender - por medo, por covardia, por achar que eu merecia.
Por muitas e muitas vezes eu pedi a Deus pra morrer, porque não era compativel, com os colegas.
Aos 14 anos, minha tia Lecy, me viu chorando uma vez, e perguntou o que havia acontecido e vi, naquele momento uma oportunidade de pedir ajuda, então contei tudo.
Pra me ajudar ela me disse que aquilo ia passar, e que eu  precisava fazer dieta.
Deu certo!
Eliminei peso e fiquei linda! Minha auto estima melhorou e na minha festa de 15 anos, fiquei com o cara mais bonito do meu grupo de adolescentes da Igreja!
Ele precisou voltar com o pai para São Paulo, depois de 6 meses, e daí, começou tudo de novo...
Aos 16, baixinha, e usando óculos fundo de garrafa, eu estava pesando 70 quilos.
E N O R M E - para uma pessoa pequena.
Uma aluna da oitava série começou a vender remédios para emagrecer, e eu comprei, em pouco tempo estava magra de novo - linda, eu tinha orgulho de mim, passei a ser mais confiante e todo mundo me elogiava.
Aos 18, descobri o FEMPROPOREX  e fiquei totalmente viciada no remédio.
Acontece que mudamos de bairro e meu "fornecedor" não podia mais mandar o remédio pra mim.
Cheguei a. pesar 80 Kg e junto, todas as dores, a baixo auto estima e a sensação de que eu nunca iria ser feliz, se fosse gorda.
Aos 19, eu estava fazendo o Curso de Formação de Professores e consegui um estágio numa Escola aqui perto de casa e com isso como grande parte das mulheres, nunca está satisfeita com o peso,as conversas na grande maioria das vezes giravam em torno de..."tomei isso", "estou tomando isso e já perdi dois quilos em uma semana", fulano consegue o medicamento", fui no Doutor Caveirinha e perdi 15 quilos em 1 mês"... então, como uma forma de voltar a ser magra o mais rápido possivel, fui ao tal doutor caveirinha,, ele mal olhou na minha cara, me fez perguntas rápidas e eu peguei o remédio lá mesmo!
Sim, eu perdi peso, mas estava cada vez mais fraca, desanimada e muito, muito deprimida.
Fiquei doente, com problemas respiratórios, uma enxaqueca que me fazia faltar o trabalho, e um dia, de tanto vomitar, por só sentir o cheiro da comida, sentei e comecei a chorar no chão do banheiro,
nunca me senti tão triste.
Drogada, era isso que eu estava fazendo, me drogando, desrespeitando minha vida, meu corpo,
Anfepramona e Femproporex juntos, são suicidio na certa.
Minha pressão estava sempre muito baixa e até no trabalho eu mudei.
Parei por conta própria, porque a sensação que eu tinha é de que iria morrer.

 

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